Entrevista com a banda Heavenless

Primeiramente, me chamo Magnum Watts e comando o blog Música Pesada. Agradeço a todos pela atenção e pra mim é uma grande honra poder entrevistar a Heavenless. Me fale sobre os primeiros passos da banda. Como nasceu a Heavenless?

Vicente – Um grande abraço aos amigos do ‘Música Pesada’, aqui é Vicente Andrade, o baterista do Heavenless, é um prazer falar contigo Magnum.
Então, a banda Heavenless surgiu em 2015, mas já estamos nessa estrada musical há muito tempo, já trabalhamos com produção musical aqui na nossa cidade Mossoró no Rio Grande do Norte, já possuímos pubs e estivemos envolvidos com a cena há mais de 10 anos. A banda é formada por mim, Kalyl Lamark (voz e baixo) e Vinícius Martins (guitarra). A cidade de Mossoró é pequena e todos já éramos amigos e sempre rolou parceria estre as bandas locais. Em 2015 a gente resolveu entrar nessa empreitada juntos por realmente termos uma afinidade profissional e de amizade mesmo, tínhamos convicção de que essa formação seria muito promissora porque estávamos muito envolvidos com o projeto.

O som de vocês é cheio de identidade. Todos temos influência de alguns artistas e bandas. Qual o impacto dessa influência nas composições do grupo?

Vicente – Pois é, existe uma diferença de idade entra os integrantes e isso influencia muito na hora das composições. Eu curti muito metal na década de noventa e vi grandes shows e lançamentos de discos daquela época. Então Pantera, Sepultura, Kreator, Machine Head corre em minhas veias. Kalyl Lamarck tem uma influência de um metal mais arrastado, mais doom e muito sujo como Down, Howl, High on Fire… Já Vinícius Martins é o mais jovem da banda e tem uma influência do new metal e metal mais moderno como Slipknot, Korn e Mastodon.

O debut de vocês foi muito elogiado dentro do cenário nacional. A expectativa de vocês foi suprida?

Vicente – Com excelência! Ficamos muito satisfeitos com a repercussão, foi definitivamente uma alegria imensa sobre as críticas apresentadas.

Qual a visão de vocês sobre o cenário underground atualmente? Há um bom suporte da mídia? E da base de fãs?

Vicente – Cara, o underground é um cenário muito bom, mas sabemos de todos os problemas enfrentados. Logicamente que a aproximação com a galera que curte o seu som é muito maior, nós temos um retorno muito bom daqueles que curtem nosso som, essa é uma das partes mais prazerosas de se poder fazer parte deste cenário, além de conhecer pessoas que se tornam amigos e bandas também. Acredito que na parte da mídia existe um déficit, penso que deveria haver uma atenção um pouco maior, mas ao mesmo tempo existem opções que se especializam neste cenário e é algo sensacional.

Sei que já estão trabalhando em novas músicas e gostaria de saber se vão manter a mesma pegada Doom?

Vicente – Estamos sim, já acabamos o processo de gravação, falta a parte final de mixagem e masterização. No que se refere a pegada, nós estamos com a mesma proposta, mas o que podemos destacar nas novas músicas é que serão um pouco mais rápidas, mais “old school”, fazendo sempre uma mescla nos estilos e de certa forma fazendo uma “confusão” sobre o nosso estilo.

O tema religião é a abordagem central do “whocantbenamed” e de certa forma é um tema que pode falar sobre política, escravidão, violência, mentira, mas a maioria das pessoas enxerga a religião apenas como a simples relação entre Deus, homem e o diabo. Caso concordem com essa afirmação, gostaria de saber se essa será a abordagem central do próximo álbum ou se teremos músicas que especifiquem outros temas de forma mais direta?

Vicente – A ideia passa por isso mesmo, mas desta vez daremos também um toque de licantropia, já que Kalyl sofre uma grande influência familiar sobre este tema. A nossa ideia sempre é fazer críticas sobre o fanatismo, pensamos que toda forma de fanatismo pode-se levar ao homem um grande devaneio em seu estado, levando-o para seu estado de natureza.

Como tem sido a turnê? A próxima será mais ampla? Pretendem alcançar outras regiões do país?

Vicente – A turnê foi uma experiência absurda, uma ótima recepção da galera de onde passamos. No ano de 2017 fizemos 12 datas no final de abril, voltamos no início de maio e tocamos mais em outras cidades aqui do RN e também nos estados vizinhos. Em junho voltamos novamente para São Paulo e tocamos no Black Embrers.
Nesse ano de 2018 nós terminaremos o novo cd e também focalizaremos em alguns festivais que já fomos confirmados aqui pelo Nordeste, como o Garage Sound em Fortaleza. Posteriormente a isso tudo, pretendemos fazer algumas datas na Europa em 2019.

Tem alguma banda atual que vocês curtem?

Vicente – Tem sim: Full Blown Chaos, Incendiary, Gojira e Orchid.

O som que vocês fazem tem influência apenas do Death e Thrash?

Vicente – Não, existe uma grande influência também do hardcore e do groove. Quanto mais você ouvir outras bandas, e até mesmo outros estilos, faz com que você evolua tecnicamente e musicalmente.

O resultado final do debut de vocês mostra que há um comprometimento muito sério de todos. Foi difícil chegar nele?

Vicente – Existe sim, nós temos nossos trabalhos como cidadãos comuns, mas levamos o Heavenless como algo primordial para nós e trabalhamos duro demais para chegar no “whocantbenamed”. Ensaiávamos entre 4 a 5 dias na semana, queríamos estrear em shows já com algo muito bem encaminhado nas nossas mãos. Não digo que foi um trabalho difícil pois nós três somos amigos acima de tudo e levamos a sério o que fazemos, mas definitivamente foi duro. Hoje nós mantemos praticamente o mesmo ritmo de ensaio e de composição.

Como foi o processo de criação da capa? qual o conceito?

Vicente – Quem criou toda a arte do cd foi Hugo Silva da Abacrombie ink, é uma artista sensacional. Kalyl conhecia o trabalho e nos mostrou, jogamos basicamente as nossas ideias do que falaríamos no “whocantbenamed” e ele entendeu logo de cara e saiu. Vale salientar que a bruxa da capa nós a levamos para a ideia do clipe de “The Reclaim” e aborda exatamente um rito de passagem nesta capa ainda em processo de licantropia.

“The Reclaim” tem um clipe muito foda. Falem pros nossos leitores um pouco de como foi gravar esse vídeo.

Vicente – Bem, a ideia parte de que alguns moradores daquela região que fica localizado no meio de alguns sítios próximos aqui da nossa cidade (Mossoró-RN), contam que existiam alguns casos sobrenaturais, aparecimento de espíritos e de até sobre homens que se transformaram em lobisomens. Daí metemos a cara nesses contos, achamos o lugar muito foda e partimos pra lá no início da noite e tentamos contar exatamente o que se passa nas nossas letras e também nos contos que existiam lá, por isso demos vida a bruxa da capa do nosso cd. Passamos a noite toda e meio da madrugada gravando os takes da banda e da parte de encenação. Achamos que o resultado final ficou muito bom e bem impactante, sempre lembrando que quem fez a nossa gravação foram nossos brothers Dilsinho e Vicente da banda “In no Sense” lá de Fortaleza.

Vocês sabem do peso e da expectativa que o álbum de vocês carrega agora com toda essa receptividade positiva que veio recebendo. Vocês olham pra carreira de vocês em direção ao futuro ou se concentram apenas no presente? Pra finalizar, poderiam deixar um recado para os leitores do blog?

Vicente – Nosso pensamento será sempre no futuro, gravar mais discos, fazer mais turnês, tanto nacionais quanto internacionais, assim fazendo com que a banda nunca fique parada e vivendo de um passado que foi bom, mas que sempre buscaremos mais. Queríamos agradecer a oportunidade de conceder essa entrevista, ficamos muitos felizes em saber que o “whocantbenamed” agradou e que definitivamente buscaremos sempre melhorar. Não deixem de nos acompanhar nas nossas redes sociais (facebook, spotify, instagram, etc) e que possamos conversar mais uma vez para falar do nosso próximo álbum. Abraços, fvck religion!

Mais Informações:

www.twitter.com/heavenless666
www.facebook.com/heavenless666
www.instagram.com/heavenless666
www.soundcloud.com/heavenless666

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