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Fatal Scream – “From Silence to Chaos” (2016)

Da cidade de Ribeirão Preto/SP, a banda Fatal Scream lança seu debut, “From Silence to Chaos”.

Sendo uma banda relativamente nova, idealizada em 2012, e que está lançando seu primeiro trabalho com tamanha qualidade, a banda inicia sua carreira chegando com os dois pés na porta.

Sua sonoridade é uma mistura bem dosada de estilos como o Thrash, Power e o Heavy Metal, o que resulta em um trabalho com peso, técnica e dinâmica na dose certa.

Os riffs encorpados e a cozinha densa destacam essas características, acompanhados pelas fortes melodias do poderoso vocal de Carol Lima, grande destaque desse álbum.

Faixas como “Killer Wolf”, com seu peso e refrão pegajoso, “Before The Judgement”, a qual soa como um clássico atemporal e “Betrayer”, agressiva e cheia de groove mostram que a banda caminha com bastante segurança dentro dos estilos citados.

Outro ponto forte nesse trabalho é a produção sonora. O trabalho feito por Rômulo Felício, no Under Studio, possui clareza e naturalidade entre o equilíbrio de cada timbre sem perder o peso e a agressividade sonora da banda.

O único ponto fraco, mas não menos importante, é o material gráfico.

A capa está interessante, mas no interior do encarte as letras estão espremidas, algumas legíveis e outras de difícil visualização.

Numa era onde o download gratuito reina, acho que as bandas (principalmente da cena underground) deveriam investir um pouco mais na qualidade de seu produto final, não desmerecendo a parte gráfica e tornando a, assim, um atrativo a mais.

Carol Lima (Vocal)

Diego Aricó (Guitarra)

Rodrigo Hurtiga Trujillo (Baixo)

Carlos Lourenço (Bateria)

José Roberto Cardoso (Guitarra)

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Alkanza – “O céu da boca do inferno” (2017)

Da cidade de Tubarão/SC, a banda vem levantando a bandeira do Thrash Metal nacional desde 2013.

Agora a banda acaba de lançar seu segundo álbum, sucessor do aclamado Colonizado pelo Sistema (2015), trazendo acidez em letras críticas, peso e qualidade lado a lado, mas o que se torna marca registrada em seu som é o groove com presença forte em todas as faixas.

As letras são todas em português, fazendo com que a mensagem de suas músicas se aproxime mais de seus ouvintes.

O material gráfico, de Márcio Saviano, reflete bem a proposta da banda, simples e direto, com um toque de bom gosto, destacando se pelo seu contraste e fugindo do padrão atual. Sobre o fundo branco, temos imagens e letras em tons de carne viva.

Thiago Bonazza e Fabrício Eufrázio se encarregam da produção que está bem crua, com timbres sujos e bastante peso. Há algumas falhas, mas nada que tire o prazer de apreciar essa obra do underground.

No geral, esse trabalho consegue transmitir com eficiência sua proposta. Cru, direto, pesado e sujo. Isso é o underground, a música independente, essa é a Alkanza.

Destaque para as faixas “Em coma”, “Paciência v.t.n.c.”, “Com Força” e a fudida “Se comovem mas não se movem”

O álbum se encontra disponível para download gratuito no site oficial da banda:

https://www.alkanzametal.com.br
https://www.facebook.com/alkanzaofficial/

Heavenless – “Whocantbenamed” (2016)

Quem curte a cena underground nacional e é fã dos gêneros extremos da música pesada, precisa conhecer o trabalho de estréia da banda Heavenless.

“Whocantbenamed” nos apresenta uma banda de qualidade notável com composições bem elaboradas e uma mescla entre o peso do Thrash e a agressividade do Death Metal.

A utilização de técnica apurada em favor do bom senso mostra a maturidade da banda.

Durante todo o álbum há uma atmosfera sombria e carregada, como se houvesse a presença de alguma entidade nas sessões de gravação contribuindo para o resultado final, mérito da produção técnica.

Destaco a pesada faixa de abertura, “Enter Hades” e a densa “The Reclaim”.

Kalyl Werewolf Lamarc (vocal/baixo);
Vinicius “Carcará” Martins (guitarra);
Vicente “MadButcher” (bateria).

Concept of Hate – “Black Stripe Poison” (2015)

Banda de Santo André, formada em 2009 e que tem a proposta de soar tão pesada quanto o sentimento de ódio (daí o nome Concept of Hate).

A banda passou por algumas formações desde que foi criada, mas posso afirmar que em seu EP, “Black Stripe Poison”, o grupo mostra uma excelente química.

Eles não definem um gênero específico para seu som, mas entre as 4 faixas de seu EP fica evidente a forte influencia de vertentes mais extremas como Death e Thrash Metal.

Há bastante peso com andamentos cadenciados e muito groove como na faixa título, a qual mostra essas características de forma balanceada.

Na segunda faixa, “In Human Nature”, sobressai a técnica e agressividade do Death Metal numa pegada Old School Bem na linha do Morbid Angel. O excelente trabalho entre baixo e bateria torna esta, a minha favorita.

Pantera e Slayer são influências que tornam-se evidentes na excelente “Chaospiracy”. Destaque para o vocal agressivo e encorpado de Flávio  Giraldelli.

“Sanity is Not an Option” é outra ótima faixa, viciante, sintetiza todas as características da banda. Ela tem um pouco de Speed Thrash, um pouco de groove cadenciado e com riffs que me lembram alguma coisa do Running Wild em seu álbum “Under Jolly Roger” e também, algo das palhetadas de Jon Schaffer o que denota qualidade e uma elaboração rica ao som do Concept of Hate.

Atualmente a banda trabalha na gravação de seu álbum de estréia, então podemos aguardar mais um ótimo trabalho na cena nacional.

Coletânea Roadie Metal Vol. 6&7 (2016)

Pra quem procura conhecer um pouco mais da cena do metal brasileiro, a coletânea Roadie Metal é um projeto que vem expandindo fronteiras, promovendo bandas de todo o país e trazendo muita música pesada de qualidade.

Um trabalho primoroso que vem sendo disponibilizado gratuitamente em formato físico e, desde sua segunda edição, em CD duplo.

Quem encabeça o projeto é o nosso amigo Gleison Júnior, apresentador do programa de rádio Roadie Metal.

Os volumes 6 e 7 trazem bandas de vários gêneros dentro do Metal, agradando à todos os gostos. As músicas também passam por um processo de produção para não soarem sem dinâmica.

O encarte contém informações básicas sobre cada banda e a arte é assinada pelo artista Marcelo Nespoli.

Todas as bandas merecem destaque, mas certamente algumas me chamaram bastante atenção.

No vol. 6 destaco Torture Squad, banda já consagrada na cena nacional; The Goths, altamente influenciada pelo Metallica, mas com identidade própria; Project Black Pantera, Rock raçudo que tem representado o Brasil em grandes festivais estando no lineup do Download Festival 2017; Black Tríad do ilustre Ricardo Arrone; Kyballium, se destaca pelas linhas vocais e arranjo bem elaborado; M-19 que possui um trabalho excelente e está entre os melhores do metal nacional; Vorgok, Thrash Metal visceral e FireGun com uma faixa muito foda do seu EP.

Vol. 7 temos HerynDae, metal clássico já resenhado aqui; Vodoopriest; Monstractor; Death Chaos,Death Metal de altíssima qualidade e Melanie Klain, uma das melhores bandas da atualidade.

Jarakillers – “Still Macabre” (2017)

Direto da cidade de Manaus no Amazonas, a banda Jarakillers faz seu som fincado no Thrash Metal Old School mas com elementos de outros gêneros do Metal.

Lançando seu segundo álbum, “Still Macabre”, o Jarakillers desponta no cenário nacional como um dos grandes discos desse início de ano.

Em comparação com o primeiro álbum, “Macabre Tales of Dark River”, temos uma banda mais coesa, madura e evoluída. A identidade sonora se mantém, de forma mais concreta, mas com uma técnica mais apurada e melhor aplicada.

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A “Intro” é atmosférica, de clima sombrio nos leva para a faixa seguinte, “Mankind” que de cara já mostra uma produção bem superior a do disco anterior.

Uma sonoridade mais polida que mantém o peso e a densidade e que dá destaque ao groove dos riffs cadenciados das guitarras, característica marcante em todo o álbum.

O vocal também está melhor. Um timbre médio agudo, mais gritado.

Temos faixas em inglês e outras cantadas em português, como “Curupira” e a excelente “O Alien”.

“Empire” me lembra um pouco aquele groove encorpado entre baixo e guitarra do Pantera. Nessa faixa também há incursões acústicas com linhas de violões dando aquela pegada de música erudita sem deixar a pancadaria sonora esfriar. Muito foda essa faixa.

Outra faixa em português é “Try” que evidencia o arranjo. A performance dos músicos está de parabéns, há um entrosamento que passa bastante energia e profissionalismo entre os integrantes.

Uma das melhores faixas, “Dying Star” começa com um riff cadenciado mas logo o Speed Thrash toma conta, encerrando o novo álbum em grande estilo.

Outro ponto extremamente positivo é o fato de o disco possuir apenas 6 faixas de estúdio, além de 4 bônus track ao vivo, gravadas em São Paulo no Centro Cultural Zapata.

Aqui a banda acertou dois coelhos com uma cajadada só. Entregaram um material de estúdio que não é extenso e por isso não soa cansativo ao mesmo tempo que com as faixas bônus podem mostrar um pouco de como é o Jarakillers ao vivo.

Um trampo muito foda e que me deixou muito orgulhoso. Parabéns à todos e viva ao Metal, viva à Música Pesada.

Sepultura – “Machine Messiah”(2017)

“Me mostra uma grande música que eles escreveram desde que eu saí. Dê o nome de um grande álbum que eles gravaram depois.” ( Max Cavalera)

Se você escutar o novo álbum do Sepultura e se ater apenas a este ponto, haverá toda uma comparação com os últimos lançamentos e álbuns clássicos da banda envolvendo o peso histórico e tudo mais. Agora, por outro lado, se você ouve “Machine Messiah” como um trabalho de metal nacional, você consegue fazer uma análise mais crua e direta.

“Machine Messiah” é mais um grande álbum do nosso cenário. Não acho que tenha status de clássico, mas este é um álbum que o Sepultura deveria ter lançado já há algum tempo. É um álbum que possui um profissionalismo grandioso. Muito bem produzido, feito pra ser apreciado e não apenas pra ganhar dinheiro. Tem paixão ali, paixão de músico, gana e tenho certeza de que esse é mais um álbum que vai nos tornar referência no mundo da música pesada.
Bom, aqui nós temos um Thrash Metal denso e com uma boa dose de experimentalismo. Um elemento interessante, mas que não chega à me agradar, mesmo assim, não deixa de ser um ponto positivo. Dentre os instrumentos, guitarra e bateria se destacam de maneira excepcional.

O álbum inicia com uma faixa bem interessante, como um Doom bem arrastado, com vocais graves e limpos criando uma ambiência que vai evoluindo gradativamente e nos conduz com perfeição para a segunda faixa, “I Am The Enemy”. Aqui temos riffs metralhados em conjunto com os pedais duplos, uma das melhores faixas do álbum.

“Phantom Self” possui de maneira mais destacada um toque de experimentalismo, mas nada que tire seu brilho. Aqui, mais uma vez destaco o trabalho de guitarra e também os vocais de Derrick, bem viscerais.

Falando nos vocais de Derrick, infelizmente é algo que parece não se encaixar no contexto da banda. Mesmo se sobressaindo em algumas faixas, na maior parte do álbum, a voz soa fraca em comparação com o restante dos músicos. Talvez seja um ponto baixo na produção.

“Alethea” tem um começo sinistro que dá um destaque pra bateria. Não gostei da cadência dessa faixa.

“Iceberg Dances” é uma faixa instrumental que representa de forma precisa o que é esse novo álbum do Sepultura. Nela temos tambores, teclados Hammond e vilões junto aos instrumentos básicos. Bem interessante, técnica, cheia de variações e com um riff muito bom.

“Sworn Oath” possui uma introdução que parece um Power Metal, mas já cai pra pancadaria e destaca novamente os vocais. Essa é uma faixa definitivamente visceral, com uma atmosfera épica e sombria, possui um ar de grandiosidade.

“Resistant Parasites” é bem direta, mais orgânica e com riffs marcantes, sendo seguida de “Silent Violence” que é mais uma ótima faixa, se mantém mais linear do que as outras e tem uma guitarra furiosa. Se o álbum fosse todo nessa pegada seria algo mais interessante.

“Vandals Nest” é outra que sintetiza (de maneira mais contida) muito bem o disco, trazendo o peso e agressividade do Thrash junto de partes mais técnicas.

“Cyber God” é meio que uma mistura daquela pegada moderna do Five Finger Death Punch com um pouco do Pantera. Uma boa mistura de peso, cadência, vocais melódicos e agressivos.

Pra finalizar, posso dizer que o Sepultura surpreendeu positivamente, se não à todos, a maioria dos fans com um trabalho de bastante qualidade e que responde a pergunta feita por Max Cavalera nesses últimos dias.

Blackning – “AlieNation” (2016)

Um dos melhores lançamentos de 2016 e que desponta como mais uma grande banda do cenário nacional, que vem crescendo em qualidade a cada ano que passa, o segundo álbum do Blackning é o mais puro Thrash Metal.

Com músicas muito bem escritas e arranjos bem elaborados, unindo técnica e bom gosto ao feeling e experiência, “AlieNation”, ao mesmo tempo que soa bruto e agressivo consegue ser também bastante coeso e firme.

Há clareza nos timbres sem que o peso e a sujeira sejam deixados de lado. As composições transmitem bastante dinâmica e com isso o álbum não se torna cansativo. Os arranjos, as harmonias são todos bem encaixados. Outra característica que gostei bastante foi o timbre de guitarra durante os solos, sólido e cortante, combina perfeitamente com a sonoridade das faixas  e acrescenta mais um ponto ao trabalho impecável da produção.

As 10 faixas apresentam velocidade e peso característicos do Thrash Metal, mas também possui algumas faixas cadenciadas como “Mechanical Minds”. Gosto de músicas que sabem aproveitar o tempo cadenciado e conseguem transmitir um groove pulsante e que não te permitem ficar parado de maneira alguma.

 

Ancesttral – “Web of Lies” (2016)

Após 9 anos do lançamento de seu primeiro álbum, o Ancesttral lança seu segundo full-length e firma seus passos em um caminho promissor. Certamente é um prazer quando me deparo com um trabalho tão primoroso e de tanta qualidade como este, ainda mais por se tratar de um álbum nacional e que só acrescenta qualidade ao nosso underground.

Sua música transpira o Thrash Metal da velha guarda ao mesmo tempo em que a crueza e solidez do Heavy Metal tradicional permanece embutida nos solos e riffs bem construídos, alicerçados pela excelente execução da cozinha.

Em “Web of Lies”, o Ancesttral apresenta bastante maturidade e segurança em seu som. Já na faixa inicial, percebemos o calibre da banda, que expressa seu nível profissional através de groove, peso e energia em suas composições. Linhas vocais inteligentes e melodias bem elaboradas que extraem uma boa performance da voz de Alexandre Grunheidt são uma constante no álbum.

Um outro ponto positivo, e que sempre merece ser destacado, é o uso do bom senso na hora de expor a qualidade técnica da banda, algo que se reflete na criação das músicas. A dinâmica das faixas tem boa fluência e gera destaque de algumas músicas.

Você começa a ouvir o álbum despretensiosamente e o som começa a se espalhar e tomar conta da sua mente, como se criasse raízes que vão penetrando seu cérebro cada vez mais profundo. Percebemos essa propriedade em faixas como “Massacre” e “Web of Lies”. “Threat to Society”, “Pathetic Little Liars” são exemplo de faixas que te prendem já de inicio e valorizam bem o groove entre melodia e riff.

Pra quem vinha aguardando um novo trabalho do Ancesttral, esse álbum compensa e muito toda a espera!!!

 

Jailor – “Stats of Tragedy” (2015)

O Thrash Metal é um dos gêneros mais proeminentes da música extrema aqui no Brasil e a proliferação de tantas bandas que seguem essa vertente nos oferece um excedente de bandas que disputam seu espaço na cena nacional. Entre tantas bandas que vem surgindo, uma que merece destaque é a Jailor.

Com seu segundo lançamento, “Stats of Tragedy”, os Curitibanos se mostram uma banda madura e muito coesa, possuindo uma qualidade profissional de alto nível, tanto nas composições quanto na produção.

A banda apresenta um som visceral, principalmente no que diz respeito ao vocal, com uma boa dose de Speed Thrash e peso ponderadamente brutal junto à algumas referencias Old School. Nomes como Slayer ou Exodus ecoarão em suas lembranças enquanto estiver ouvindo o som desses caras.

Os riffs pesadíssimos acompanhados pela densidade crua da cozinha reverenciam as raízes do estilo. Os solos de guitarra merecem destaque por sua intensidade e brutalidade de execução impecável.

Várias faixas se sobressaem, a veloz “Human Unbeing”, a clássica “Jesus Crisis” e “Six Six Sickness”,  mas o ápice é a faixa “Throne of Devil”, que chega à lembrar “Spirit Crusher” do Death.

Apreciem essa obra no volume máximo!