Jailor – “Stats of Tragedy” (2015)

O Thrash Metal é um dos gêneros mais proeminentes da música extrema aqui no Brasil e a proliferação de tantas bandas que seguem essa vertente nos oferece um excedente de bandas que disputam seu espaço na cena nacional. Entre tantas bandas que vem surgindo, uma que merece destaque é a Jailor.

Com seu segundo lançamento, “Stats of Tragedy”, os Curitibanos se mostram uma banda madura e muito coesa, possuindo uma qualidade profissional de alto nível, tanto nas composições quanto na produção.

A banda apresenta um som visceral, principalmente no que diz respeito ao vocal, com uma boa dose de Speed Thrash e peso ponderadamente brutal junto à algumas referencias Old School. Nomes como Slayer ou Exodus ecoarão em suas lembranças enquanto estiver ouvindo o som desses caras.

Os riffs pesadíssimos acompanhados pela densidade crua da cozinha reverenciam as raízes do estilo. Os solos de guitarra merecem destaque por sua intensidade e brutalidade de execução impecável.

Várias faixas se sobressaem, a veloz “Human Unbeing”, a clássica “Jesus Crisis” e “Six Six Sickness”,  mas o ápice é a faixa “Throne of Devil”, que chega à lembrar “Spirit Crusher” do Death.

Apreciem essa obra no volume máximo!

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No Trauma – “Viva forte até o seu Leito de Morte” (2016)

“O No Trauma, banda do Rio de Janeiro, foi fundada em 2011. Lançando no ano de 2012 a single intitulada “eis a minha mão” que foi a primeira aparição pública de expressão, alcançando uma abrangência relevante e de grandes resultado pra banda. Mas logo em 2013 a banda entrou em um processo de reestruturação completa, um Hiato não declarado. Esse foi um período de reorganização, criação e recrutamento.

A grande retomada foi por meio do lançamento da violenta e enérgica música VIVA FORTE com clipe, em Maio de 2015, a Banda carioca No Trauma redefine seu estilo e atualiza a pegada, pondo novamente o pé na estrada ao encorpar a nova imagem reestruturada.”

O primeiro álbum do grupo, “Viva Forte até o seu Leito de Morte”, traz uma banda altamente pesada e cheia de groove. Apresentando bastante qualidade em suas músicas, a banda conseguiu muitas criticas positivas em seu debut.

Ao mesclar tantos elementos, tais como Metalcore, Groove, Hardcore e Djent, eles conseguem se destacar com certa originalidade em seu som e isso tudo e reforçado pelas letras em português.

Hosmany Bandeira desfere vocais viscerais e cheios de fúria ao mesmo tempo que aplica um certo drama ao transitar entre vocais limpos e rasgados.

Marvin Tabosa é aquele tipo de baterista que aplica sua técnica com bastante precisão em conformidade com o que a música pede no momento, pavimentando todo o caminho para o restante da banda.

Johnny Boy completa esse trabalho de pavimentação ao mesmo tempo em que se contrapõe à guitarra, criando linhas competentes cheias de densidade.

Tunninho Silva é um guitarrista de mão cheia, que em certos momentos satura (de forma positiva) a música com sua metralhadora de riffs e mostra muita competência e coerência na hora de aplicar sua técnica.

“Viva Forte até o seu Leito de Morte” é um trabalho sem meio termo, você o ama ou o odeia, e que certamente ressalta a imensa qualidade e diversidade que a cena nacional vem demonstrando possuir.

Metallica – “Hardwired…To Self-Destruct” (2016)

É evidente que este faz parte da lista de álbuns mais aguardados do ano por se tratar de uma das maiores banda do Thrash mundial, mas também pelo fato de que o Metallica já vinha devendo um bom trabalho aos fãs, gerando uma grande expectativa em torno do mesmo.

De início, posso afirmar que o Metallica não nos brinda com outra obra que possa alcançar o status de clássico, mas que apesar de alguns pontos negativos passa muito longe de ser um álbum ruim.

Hardwired to Self-Destruct é quase uma síntese de toda a discografia da banda. É claro que com tanto tempo de estrada, fica difícil se renovar, mas é exatamente nesse ponto que o Metallica acerta. A banda faz o que sempre soube fazer de bom, mantendo a qualidade e identidade e assim, facilmente podemos lembrar de álbuns em que o Metallica não se desvirtuou.

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“Hardwired” é uma faixa breve se comparada às outras. Traz o peso e velocidade que queremos ouvir, algo que continua em “Atlas, Rise!” que soa mais agressiva.

“Now That We’re Death”, uma das minhas preferidas, tem uma pegada mais Hard Rock e uma vibe N.W.O.B.H.M. O tipo de faixa que começa bem e fica melhor quando chega no refrão. Certamente seria um clássico nos anos 80, mas os tempos hoje são outros.

“Moth Into Flame” não me agradou muito quando foi lançada em single, mas aqui, dentro do álbum ficou interessante.

“Dream no More” dá uma quebrada na velocidade e possui um charme viciante. Seus riffs e principalmente sua melodia ficam impregnados num clima meio Doom, principalmente no refrão.

“Halo on Fire” pode parecer com algo do Black álbum, mas não possui a mesma grandeza. É a mais fraca e faz jus à sua posição de última faixa do CD 1.

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A maior parte dos pontos baixos desse álbum estão justamente no segundo CD. O Metallica mostra algo totalmente oposto ao primeiro e insiste em músicas lentas e longas, o que acaba se tornando cansativo e maçante, principalmente a parte da bateria.

Faixas como “Confusion” ( que mais parece a sobra de uma Jam feita durante os ensaios), “ManUnkind” e “Am I Savage?” são desnecessárias e poderiam ser cortadas, deixando o álbum muito mais dinâmico.

“Here Comes Revenge” é uma faixa climática, que vai numa condução crescente mesclando o peso, a cadência e velocidade junto à riffs e um refrão poderoso. Um dos melhores solos do álbum está aqui.

“Murder One” mantém a pegada forte com riffs firmes e homenageia o saudoso Lemmy Kilmister, apesar disso, não me empolgou muito.

Pra encerrar, a melhor faixa de todo o álbum, “Spit Out The Bone”. Speed Thrash raçudo que mostra o bom e velho Metallica em plena forma. Todos os músicos se destacam nesta música, até dá pra ouvir o som do baixo.

Ainda faltam alguns dias para o final do ano, mas posso afirmar que o Metallica fechou 2016 com chave de ouro!

Heryn Dae – “Heryn Dae” (2015)

Banda catarinense da cidade de São Francisco do Sul que surigiu em 2013 com a proposta de abranger em seu som as várias vertentes que influenciavam o som de cada um dos integrantes.

A “dama das sombras” (significado de Heryn Dae na linguagem Élfica Tolkiana) mostra um som tradicional que remete ao metal dos anos 80, da época em que segmentos do gênero Thrash Metal e do Speed Metal começaram a se desenvolver. Podemos perceber que a influência da banda não se limita apenas à eles, passando também por estilos como o Hard Rock e sua maior influência, o Heavy Metal tradicional, ao longo das  8 faixas.

No decorrer do play vamos descobrindo  que a banda ainda precisa amadurecer, mas isso não significa que o trabalho da banda seja algo mal concebido, muito pelo contrário, é perceptível que a mesma possui potencial a ser desenvolvido, o que nos leva ao ponto baixo do álbum, a produção.
Faltou mais distorção, ruído e peso, principlmente nos solos, como podemos perceber na faixa”Death”. Espero muito que a banda invista mais nesse ponto para o próximo trabalho.

Por outro lado, gostei bastante da forma de cantar do vocalista Victor Moura, que imprime identidade e dinâmica, possue boas variações no timbre e ao mesmo tempo se adapta as suas limitações.

Algumas faixas se destacam como “Final Fantasy”, a faixa título e “Shadow’s Prologue”.

 

Exumer – “The Raging Tides” (2016)

É certo que algumas bandas após determinado tempo de estrada já possuem experiência sob diversas fórmulas, mantendo a que mais lhe deu resultados. Algumas caem na armadilha do comodismo e mesmo mantendo uma fórmula que outrora deu certo, não conseguem mais obter bons resultados, mas nestes últimos anos grandes nomes da música pesada (Judas Priest, W.A.S.P., Metal Church, Saxon e por último o Metallica) tem me surpreendido com seus lançamentos recentes, e o Exumer é uma delas.

“The Raging Tides” transmite a energia visceral de uma grande banda menos pomposa e que não esteja sob os holofotes do mainstream, mas continua firme em sua carreira. Ainda soando tão poderosa e pesada quanto em “Possessed by Fire” e tão madura e segura como em “Fire & Damnation”.

Os riffs são bem elaborados e conseguem caracterizar cada faixa. A dinâmica do álbum também está muito boa; consegue oscilar entre peso, brutalidade e cadência sem perder o foco e possui uma produção que mantém a textura sonora do Old School.

Em momento algum o álbum esfria, pois todas as faixas possuem aquele groove que te faz bater cabeça ou tocar uma bateria imaginária quando não estiver acompanhando os solos com sua air guitar.

A sensação que o álbum transmite é bem orgânica, mais um ponto positivo para a produção, o que faz deste o número 1 da minha lista de melhores do gênero em 2016.

Ruínas de Sade – “Ruínas de Sade” (2016)

Banda da cidade de Brusque, Santa Catarina, que faz um som pesado, denso e caracteristicamente lento.

Conheci o trabalho dessa banda através da página Metal na Lata, onde faço parte da equipe de editores.

Particularmente considerando que um bom álbum, além de boa música, tem que possuir uma capa que tome a atenção do público, tem que passar a mensagem do que há naquele disco e aumentar o nosso desejo de  querer conhecer sua música, afirmo que inicialmente foi o que me chamou atenção neste trabalho.

Essa capa em cor de papel velho com uma gravura altamente detalhista e quase monocromática de um Cthulhu (entidade cósmica criada pelo escritor de terror H. P. Lovecraft), a representação da desolação, terror e morte, consegue refletir com exatidão o tipo de música da banda.

Totalizando pouco mais de 30 minutos com apenas três faixas, o álbum não soa monótono nem cansativo, possui dinâmica e um leque de detalhes que te prendem até o fim da audição.

Os riffs são bem característicos, com um toque de Rock Progressivo se estendendo aos solos. Outra característica interessante são as letras em português, algo que deu muito certo e deixou as músicas mais intimistas.

Quem ama música arrastada, com bastante peso e densa, certamente vai curtir muito esse álbum. Os caras priorizaram uma produção crua e caseira, bem suja, que torna o som muito mais visceral.

Hugo Grubert, não atoa, fazia vocal numa banda cover do Black Sabbath. Sua voz não possui o timbre que lembre o de Ozzy Osbourne, mas a forma de cantar tem a mesma peculiaridade que a do Madman.

Com certeza, a Ruínas de Sade é uma das grandes promessas do underground nacional.