Vários Artistas – “Black Sabbath:The CVLT Nation Sessions” (2017)

O CVLT Nation, site/revista eletrônica especializada na música obscura, reuniu grandes nomes da atual cena de Doom Metal em um tributo aos grandes mestres do Black Sabbath, os quais foram pioneiros no estilo plantando as sementes deste gênero macambúzio.

Numa regravação das 8 faixas que compõem o álbum de estreia do Black Sabbath, as bandas que participam do tributo apresentam suas versões em uma performance ímpar. Esse é um dos grandes destaques desse tributo, pois cada releitura traz um toque de originalidade e bastante identidade em cada faixa.

Algumas se mantiveram mais fiéis ás versões originais e outras optaram por uma interpretação com mais liberdade, mas sem produzir algo descaracterizado.

Como exemplo temos uma versão mais arrastada para a faixa “Black Sabbath”; uma reinterpretação totalmente insana e macabra para “The Wizard” (minha favorita), e uma versão soturna de “N.I.B.”, com destaque para as linhas vocais.

FAIXAS:

01. Beastmaker – Black Sabbath
02. CHRCH – The Wizard
03. Jupiterian – Behind the Wall of Sleep
04. Mindkult – N.I.B.
05. Witchthroat Serpent – Evil Woman
06. Frown – Sleeping Village
07. Trapped Within Burning Machinery – Warning
08. Space Bong – Wicked World

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Ego Kill Talent – “Ego Kill Talent” (2017)

Formado em 2014 pelo fundador da banda Reação em Cadeia, Jonathan Corrêa (Vocal), juntamente com Theo van der Loo (Guitarra/ Baixo), Niper Boaventura (Guitarra/Baixo), Raphael Miranda (Bateria/Baixo) e Jean Dolabella (Bateria/Guitarra), o grupo Ego Kill Talent lança seu álbum auto intitulado.

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Gravado no Family Mob Studio, em São Paulo, o álbum foi produzido por Steve Evetts, que já trabalhou com nomes como The Dillinger Escape Plan, The Cure, Giraffe Tongue Orchestra, entre outros.

O álbum possui 10 faixas que trazem um Rock moderno e de muito bom gosto que transmite todo talento e experiência de seus integrantes. A dinâmica do álbum é interessante e também pode ser vista nos palcos, já que os músicos revezam entre os instrumentos, algo que confere uma pegada extremamente particular à cada faixa.

Melodias agradáveis e uma performance vocal de destaque trazem uma vibe mais Pop ao trabalho do Ego Kill Talent. Os arranjos conferem todo o peso e modernidade junto á influencias noventistas de bandas como Foo Fighters, Soundgarden e Queens of The Stone Age.

Destaque para “Just to Call you Mine”, “Last Ride” e “Sublimated”.

Ego Kill Talent é um trabalho nacional de excelente qualidade que merece muito ser conferido!

Sepultura – “Machine Messiah”(2017)

“Me mostra uma grande música que eles escreveram desde que eu saí. Dê o nome de um grande álbum que eles gravaram depois.” ( Max Cavalera)

Se você escutar o novo álbum do Sepultura e se ater apenas a este ponto, haverá toda uma comparação com os últimos lançamentos e álbuns clássicos da banda envolvendo o peso histórico e tudo mais. Agora, por outro lado, se você ouve “Machine Messiah” como um trabalho de metal nacional, você consegue fazer uma análise mais crua e direta.

“Machine Messiah” é mais um grande álbum do nosso cenário. Não acho que tenha status de clássico, mas este é um álbum que o Sepultura deveria ter lançado já há algum tempo. É um álbum que possui um profissionalismo grandioso. Muito bem produzido, feito pra ser apreciado e não apenas pra ganhar dinheiro. Tem paixão ali, paixão de músico, gana e tenho certeza de que esse é mais um álbum que vai nos tornar referência no mundo da música pesada.
Bom, aqui nós temos um Thrash Metal denso e com uma boa dose de experimentalismo. Um elemento interessante, mas que não chega à me agradar, mesmo assim, não deixa de ser um ponto positivo. Dentre os instrumentos, guitarra e bateria se destacam de maneira excepcional.

O álbum inicia com uma faixa bem interessante, como um Doom bem arrastado, com vocais graves e limpos criando uma ambiência que vai evoluindo gradativamente e nos conduz com perfeição para a segunda faixa, “I Am The Enemy”. Aqui temos riffs metralhados em conjunto com os pedais duplos, uma das melhores faixas do álbum.

“Phantom Self” possui de maneira mais destacada um toque de experimentalismo, mas nada que tire seu brilho. Aqui, mais uma vez destaco o trabalho de guitarra e também os vocais de Derrick, bem viscerais.

Falando nos vocais de Derrick, infelizmente é algo que parece não se encaixar no contexto da banda. Mesmo se sobressaindo em algumas faixas, na maior parte do álbum, a voz soa fraca em comparação com o restante dos músicos. Talvez seja um ponto baixo na produção.

“Alethea” tem um começo sinistro que dá um destaque pra bateria. Não gostei da cadência dessa faixa.

“Iceberg Dances” é uma faixa instrumental que representa de forma precisa o que é esse novo álbum do Sepultura. Nela temos tambores, teclados Hammond e vilões junto aos instrumentos básicos. Bem interessante, técnica, cheia de variações e com um riff muito bom.

“Sworn Oath” possui uma introdução que parece um Power Metal, mas já cai pra pancadaria e destaca novamente os vocais. Essa é uma faixa definitivamente visceral, com uma atmosfera épica e sombria, possui um ar de grandiosidade.

“Resistant Parasites” é bem direta, mais orgânica e com riffs marcantes, sendo seguida de “Silent Violence” que é mais uma ótima faixa, se mantém mais linear do que as outras e tem uma guitarra furiosa. Se o álbum fosse todo nessa pegada seria algo mais interessante.

“Vandals Nest” é outra que sintetiza (de maneira mais contida) muito bem o disco, trazendo o peso e agressividade do Thrash junto de partes mais técnicas.

“Cyber God” é meio que uma mistura daquela pegada moderna do Five Finger Death Punch com um pouco do Pantera. Uma boa mistura de peso, cadência, vocais melódicos e agressivos.

Pra finalizar, posso dizer que o Sepultura surpreendeu positivamente, se não à todos, a maioria dos fans com um trabalho de bastante qualidade e que responde a pergunta feita por Max Cavalera nesses últimos dias.

Blackning – “AlieNation” (2016)

Um dos melhores lançamentos de 2016 e que desponta como mais uma grande banda do cenário nacional, que vem crescendo em qualidade a cada ano que passa, o segundo álbum do Blackning é o mais puro Thrash Metal.

Com músicas muito bem escritas e arranjos bem elaborados, unindo técnica e bom gosto ao feeling e experiência, “AlieNation”, ao mesmo tempo que soa bruto e agressivo consegue ser também bastante coeso e firme.

Há clareza nos timbres sem que o peso e a sujeira sejam deixados de lado. As composições transmitem bastante dinâmica e com isso o álbum não se torna cansativo. Os arranjos, as harmonias são todos bem encaixados. Outra característica que gostei bastante foi o timbre de guitarra durante os solos, sólido e cortante, combina perfeitamente com a sonoridade das faixas  e acrescenta mais um ponto ao trabalho impecável da produção.

As 10 faixas apresentam velocidade e peso característicos do Thrash Metal, mas também possui algumas faixas cadenciadas como “Mechanical Minds”. Gosto de músicas que sabem aproveitar o tempo cadenciado e conseguem transmitir um groove pulsante e que não te permitem ficar parado de maneira alguma.

 

Electric Citizen – Higher Time (2016)

Apesar de ter sido lançado no mês de Maio, o segundo álbum da banda Electric Citizen foi um dos últimos petardos da boa música que tive o prazer de ouvir em 2016.

O som da banda, que vem da cidade de Cincinnati, no estado americano de Ohio, traz uma aglutinação harmoniosa de elementos do Stoner, Rock Psicodélico e Doom. É um som empoeirado com aquele toque charmoso de Acid Rock e andamentos levemente cadenciados.

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Os quase 40 minutos de duração apresentam uma boa dinâmica entres as faixas, principalmente pelo fato de que os elementos psicodélicos são utilizados pela banda de maneira direta, funcionando muito mais como um adorno harmônico e fazendo o que a música pede.

Em 2016, excelentes bandas com vocal feminino tiveram destaque no cenário nacional e internacional. Bandas como Nervosa, Old Blood, Devil Electric são algumas bandas que tem atrás de seus microfones, grandes vozes femininas de qualidade ímpar, essa é também uma característica marcante do Electric Citizen e algo que gosto muito.

Pra quem gosta de referências, posso citar bandas como Black Sabbath, Pentagram e Brimstone Coven, mas sempre mantendo a originalidade.