Coletânea Roadie Metal Vol. 6&7 (2016)

Pra quem procura conhecer um pouco mais da cena do metal brasileiro, a coletânea Roadie Metal é um projeto que vem expandindo fronteiras, promovendo bandas de todo o país e trazendo muita música pesada de qualidade.

Um trabalho primoroso que vem sendo disponibilizado gratuitamente em formato físico e, desde sua segunda edição, em CD duplo.

Quem encabeça o projeto é o nosso amigo Gleison Júnior, apresentador do programa de rádio Roadie Metal.

Os volumes 6 e 7 trazem bandas de vários gêneros dentro do Metal, agradando à todos os gostos. As músicas também passam por um processo de produção para não soarem sem dinâmica.

O encarte contém informações básicas sobre cada banda e a arte é assinada pelo artista Marcelo Nespoli.

Todas as bandas merecem destaque, mas certamente algumas me chamaram bastante atenção.

No vol. 6 destaco Torture Squad, banda já consagrada na cena nacional; The Goths, altamente influenciada pelo Metallica, mas com identidade própria; Project Black Pantera, Rock raçudo que tem representado o Brasil em grandes festivais estando no lineup do Download Festival 2017; Black Tríad do ilustre Ricardo Arrone; Kyballium, se destaca pelas linhas vocais e arranjo bem elaborado; M-19 que possui um trabalho excelente e está entre os melhores do metal nacional; Vorgok, Thrash Metal visceral e FireGun com uma faixa muito foda do seu EP.

Vol. 7 temos HerynDae, metal clássico já resenhado aqui; Vodoopriest; Monstractor; Death Chaos,Death Metal de altíssima qualidade e Melanie Klain, uma das melhores bandas da atualidade.

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Sprague Dawley – “Missing Peace” (2017)

Após 3 anos do laçamento de “Remind Me”, seu trabalho de estréia, a banda está lançando o ótimo “Missing Peace”. Fundada em 2008, a Sprague Dawley faz um som vibrante que mistura elementos de Grunge, Pop e Hard Rock.

Com influências evidentes de bandas como Pearl Jam e InFlames, a banda não tenta reinventar a roda e acerta em cheio com músicas bem elaboradas e diretas.

A performance vocal se destaca durante a audição do disco, soando dramática (It Forever), sedutora (It’s Not Over), melancólica (Another Day) e também enérgica na maior parte do álbum.

Apesar de conter 12 faixas, não cansei de ouvir este álbum. Isso tudo por que a banda se mostra bastante harmoniosa. As influências de música pop e Rock tornam o trabalho viciante.

Quero destacar as faixas “Where The Hell”, “It’s Not Over” e a faixa título.

https://m.facebook.com/Sprague-Dawley-473123302747437/?locale2=pt_BR

Jarakillers – “Still Macabre” (2017)

Direto da cidade de Manaus no Amazonas, a banda Jarakillers faz seu som fincado no Thrash Metal Old School mas com elementos de outros gêneros do Metal.

Lançando seu segundo álbum, “Still Macabre”, o Jarakillers desponta no cenário nacional como um dos grandes discos desse início de ano.

Em comparação com o primeiro álbum, “Macabre Tales of Dark River”, temos uma banda mais coesa, madura e evoluída. A identidade sonora se mantém, de forma mais concreta, mas com uma técnica mais apurada e melhor aplicada.

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A “Intro” é atmosférica, de clima sombrio nos leva para a faixa seguinte, “Mankind” que de cara já mostra uma produção bem superior a do disco anterior.

Uma sonoridade mais polida que mantém o peso e a densidade e que dá destaque ao groove dos riffs cadenciados das guitarras, característica marcante em todo o álbum.

O vocal também está melhor. Um timbre médio agudo, mais gritado.

Temos faixas em inglês e outras cantadas em português, como “Curupira” e a excelente “O Alien”.

“Empire” me lembra um pouco aquele groove encorpado entre baixo e guitarra do Pantera. Nessa faixa também há incursões acústicas com linhas de violões dando aquela pegada de música erudita sem deixar a pancadaria sonora esfriar. Muito foda essa faixa.

Outra faixa em português é “Try” que evidencia o arranjo. A performance dos músicos está de parabéns, há um entrosamento que passa bastante energia e profissionalismo entre os integrantes.

Uma das melhores faixas, “Dying Star” começa com um riff cadenciado mas logo o Speed Thrash toma conta, encerrando o novo álbum em grande estilo.

Outro ponto extremamente positivo é o fato de o disco possuir apenas 6 faixas de estúdio, além de 4 bônus track ao vivo, gravadas em São Paulo no Centro Cultural Zapata.

Aqui a banda acertou dois coelhos com uma cajadada só. Entregaram um material de estúdio que não é extenso e por isso não soa cansativo ao mesmo tempo que com as faixas bônus podem mostrar um pouco de como é o Jarakillers ao vivo.

Um trampo muito foda e que me deixou muito orgulhoso. Parabéns à todos e viva ao Metal, viva à Música Pesada.

The Baggios – “Brutown” (2016)

Criada em 2004, The Baggios é um duo sergipano de Blues Rock cheio de personalidade e que apresenta em “Brutown”, seu terceiro disco de estúdio, um trabalho com bastante identidade, marcado pelo peso e paixão do Rock clássico, a atmosfera expressiva do Blues, o brilho do Jazz e a sagacidade do Funk.

“Brutown” tem por conceito uma cidade que beira o caos. Os temas das músicas seguem o cotidiano do Brasil e do mundo pela visão lírica de seu poeta. “Estigma” e “Brutown”, falam sobre violência e tempos sombrios, em “Sangue e Lama” a banda retrata a tragédia de Mariana (Minas Gerais) e o massacre no Bataclan, em Paris.

Ampliando seu leque de possibilidades musicais em seus arranjos, o duo se torna um trio e convida o músico Rafael Ramos (teclas e baixo) para somar nas gravações de “Brutown”. Desse leque de possibilidades surge um trabalho bem elaborado que expande a musicalidade da banda. Além disso, o The Baggios convidou artistas que de alguma maneira fazem parte de suas influências musicais.

Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), canta em “Saruê”, Fernando Catatau (Cidadão Instigado), toca guitarra em “Soledad”, Emmily Barreto (Far From Alaska), empresta sua voz para “Estigma”, Gabriel Thomaz e Erika Martins (Autoramas) fazem backing vocal em “Desapracatado”. Além deles, Felipe Ventura (Baleia) toca violino e fez arranjo de cordas em “Soledad” e “Miquin”.

O que temos aqui é uma espécie de mistura entre Raul Seixas e Lenine (o sotaque denota uma textura mais raíz ao som da banda) que toca muito bem guitarra, acompanhado por excelentes músicos e contando com participações valorosas do meio da música underground.

Freedom Fuel – “Happy People” (2017)

Fundado em 2015 na cidade de Helsinki, o trio de Rock, Freedom Fuel disponibiliza através da Secret Entertainment, seu álbum de estreia nas principais plataformas digitais. Formado por músicos experientes da cena underground da Finlândia, o trio esbanja musicalidade e qualidade em um trabalho muito bem direcionado.

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As 10 faixas tem suas raízes no Rock e no Blues, resultando em uma mistura muito bem homogeneizada. O trio é bem elétrico e eclético, toda a experiência dos músicos se reflete nas composições, transmitindo uma sensação de que é tão simples e fácil fazer música de boa qualidade.

Gostei bastante desse trabalho, direto e despretensioso, divertido. Mostra que o trio tem personalidade e equilibra muito bem modernidade e alguns elementos setentistas.

A produção ficou por conta de Jukka Puurula, o qual fez um ótimo trabalho. Os 3 instrumentos conseguem se destacar muito bem cumprindo sua função, há uma densidade e peso que preenchem muito bem o panorama (a forma como o contrabaixo se destaca é algo que gosto muito).

Destaque para as faixas “Leave it Behind”, “Let Them Go”, “I Can’t Come”. Aliás, se você gostar da primeira faixa, com certeza vai apreciar o restante do álbum.

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RückWater – “Bonehead” (2017) – EP

Posso afirmar que a capa de “Bonehead”, o terceiro EP da banda e que será lançado pela Secret Entertainment, transmite muito bem o tipo de música feita pelo Rückwater, com várias faces e cores as quais convergem em uma única forma. O poderoso trio finlandês une o peso do Heavy Metal, a crueza do Punk e a flexibilidade do Rock Alternativo, tudo isso amarrado por um Stoner/Desert Rock cheio de energia e dinâmica.

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“Once More” inicia o Disco com um riff de Rock cativante e o título da faixa serve como um prenúncio, pois certamente você ouvirá esse disco mais de uma vez. Os vocais agressivos e arranjos transformam a faixa em um Southern pesado e encorpado.

“No Gain” tem uma energia Punk em seu arranjo, com vocais que misturam elementos de Rock Alternativo e linhas mais pesadas. Essa variação entre vocais suaves e pesados se divide entre o baixista Jussi Vehman e o guitarrista Make Makkonen.

A cadenciada “Labyrinth” é um Grunge mais direto, uma baladinha que vai evoluindo até ganhar peso vocal. Lembra um pouco o Guns N Roses.

“Super Frustation” é um Thrash com pegada Punk, rápida e direta. A faixa com duração mais curta.

A faixa título sintetiza bem a proposta da banda. Rock com sonoridade Stoner e bastante energia bem na linha do Rival Sons. Ela é bem cativante e envolvente, infelizmente é mais uma faixa curta

A última faixa é a que mais possui elementos de Rock Alternativo e também a mais longa, com vocais e arranjos cheios de elementos pertencentes ao gênero. Possui uma atmosfera inebriante guiada por um excelente trabalho de guitarra. Da metade para o fim ela é conduzida numa vibe psicodélica e finaliza o disco em grande estilo.

Certamente o trio do Rückwater é uma banda em ascensão que já possui experiência e maturidade em seu som para o lançamento de um Full Length.

Integrantes:

-Jussi Vehman – Voz e Baixo
-Make Makkonen – Voz e Guitarras
-Jape Makkonen  – Bateria