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Ankhy – “Prologue” (2017)

Pra quem curte peso e qualidade técnica, apresento “Prologue“, o primeiro full lenght da banda Ankhy.

Formada em 2011, Ankhy é uma banda curitibana que define seu gênero como Heavy Metal, porém, as influências de cada integrante o fazem ir além, numa mescla entre Death, Thrash, Power e Metalcore.

Antes deste álbum, a banda lançou um EP auto intitulado no ano de 2012, contendo apenas 4 faixas que vieram a ser regravadas em “Prologue“.

Bom, com o lançamento deste EP a Ankhy conseguiu um bom espaço no cenário curitibano, onde participou de vários festivais importantes, como o Matanza Fest, por exemplo. Isso trouxe a oportunidade para que a banda tocasse ao lado de outras já consolidadas no underground nacional.

Depois dessa experiência a banda manteve o foco nas gravações de seu álbum de estréia. Como grana de sobra nesse país só os políticos é quem tem, os caras criaram uma banda tributo ao Judas Priest pra ajudar na arrecadação de verba pra pagar as gravações de “Prologue“.

O resultado é um trabalho de alto nível e que certamente vai agradar aos mais exigentes.

A mistura de gêneros e a técnica apurada caracterizam o trabalho, que foi produzido por Adair Daufembach (produtor de grandes nomes como Project 46/Semblant/Shaman/Aquiles Priester).

Outra característica interessante são as letras das músicas, sempre com uma temática filosófica/literária.

Nesse link a banda explica o conceito lírico de cada faixa.

Os destaques ficam para as faixas “Unleash The Serpents“, “All Men Must Die” e a epopéia de quase 15 minutos “Prologue of The Last Dark Age“.

Track list:
1. Helius (The City of Sunrise)
2. Lunius (The City of Shadows)
3. Ways to Oblivion
4. In The Name of Gold
5. Slave To The Gold
6. Unleash The Serpents
7. You Make Your Maker
8. War of the Gods
9. All Men Must Die
10. Prometheus
11. Prologue Of The Last Dark Age

Formação:

Matheus Motta – Vocal
Felipe (Felp) Bagatin – Guitarra
Olek Nowakowski – Guitarra
Caio Vidal (CJ) – Baixo/Backing Vocal
Markos Franzmann – Bateria

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Tumulto – “Conflitos Sociais” (2017)

Tumulto é uma banda de Foz do Iguaçu/PR, bem conhecida no underground e que tem suas raízes no Punk e no Hardcore.

Em 1992 gravaram juntamente com uma banda de Death/Thrash Metal (Morthal) um split, no qual seu lado chamava-se “Conflitos Sociais”.

25 anos depois temos a regravação do mesmo trabalho, onde a banda se mantém fiel às músicas originais, mas é claro que em termos de sonoridade temos algo mais moderno.

O resultado é um trabalho que resgata a história da banda dando uma nova cara para as músicas, que mantém a agressividade e atmosfera orgânica de suas raízes Punk/Hardcore, acrescidas do peso e técnica do Thrash Metal.

Da formação original, temos apenas o baterista Márcio Duarte, com Rafael Feldman no contrabaixo completando a muralha rítmica e coesa. Germano Duarte comanda a guitarra e os vocais.

Emerson Pereira (EMBRIO) assina a produção(na primeira versão, de 1992, a produção foi feita por Redson, do Cólera) e Anderson Vieira cuidou da mixagem e masterização.

Além da regravação das 6 faixas originais, há também três covers: “Meu Filho”, do Câmbio Negro HC, “Desconstrução”, do Ação Direta, e “Medo”, do Cólera.

Formação

Germano Duarte – Vocal/guitarra

Rafael Feldman – Baixo

Marcio Duarte – Bateria

Músicas

01- Realidade
02- Massacrados
03- Corrupto
04- Conflitos Sociais
05- Humanidade
06- Sociedade é uma Prisão
07- Meu Filho
08- Desconstrução
09- Medo

Tupi Nambha – “Invasão Alienígena” (2016)

É verdade que a cena nacional está repleta de ótimos trabalhos e grandes bandas que cada vez mais agregam qualidade e diversidade à nossa cultura headbanger. Dito isto, eu não tenho medo de afirmar que poucas são as bandas que conseguem transcender os níveis de excelência como a Tupi Nambha fez em seu EP de estréia, “Invasão Alienígena”.

Fortalecendo ainda mais o levante do metal nativo, Marcos Loiola (vocal) e Rogério Delevedove (guitarra) formam a Tupi Nambha. A ideia inicial dos caras é fazer um resgate do Tupi antigo, cantando todas as letras na língua indígena e contando um pouco sobre a tribo.

Inspirados por discos de grandes bandas como Sepultura (“Chaos AD”, “Roots”) e Angra (” Holy Land”), eles fazem seu Tribal Metal de forma bem dosada, sem extrapolar na inclusão de elementos percussivos e regionais.

Composto por 7 faixas, o EP é bastante emblemático e mesmo cantado em Tupi, consegue passar a mensagem de cada faixa através da atmosfera criada em cada uma, além de seus títulos em português que resumem a ideia central das letras.

As 3 primeiras faixas nos apresentam um proto Thrash de riffs bem trabalhos, com muito groove e melodias lineares e diretas, cantadas como um mantra tribal que ficam ecoando na mente do ouvinte.

A língua Tupi se mostra bastante musical, fazendo com que essa característica melódica se destaque em todas as faixas.

A musicalidade grooveada e com tempero brasileiro se torna mais forte nas faixas “Tupi Nambha” e “Galdino Pataxó”. Essas duas tem uma forte semelhança com o Rock brasileiro dos anos 90, principalmente com o de uma das maiores bandas do Manguebeat, Nação Zumbi.

Os riffs iniciais de ” Feiticeiro ” tem uma pegada Doom, servindo apenas como preparação pois de imediato a banda segue com seu característico mantra tribal delineado por riffs de Thrash e Groove, seguida de “Ayahuasca”, que fecha o EP com muito peso.

Com um trabalho de tamanho nível eu só posso agradecer e desejar que a Tupi Nambha tenha vida longa.

Abaixo vocês podem conferir a entrevista concedida à Roadie Metal, além do álbum na integra:

Formação:

Marcos Loiola – vocal

Rogério Delevedove – guitarra

Músicas

01.Invasão alienígena

02.Antropofagia

03.Tribo em Guerra

04.Tupi Nambha

05.Galdino Pataxó

06.Feiticeiro

07.Ayahuasca

Threesome – “Keep On Naked” (2017)

“Formada em 2012 em Campinas/SP, a Threesome é um quinteto de música autoral esteticamente influenciada pelo rock dos anos 60 e 70 e com referencias de outros segmentos como o blues, jazz e o indie. Inerentemente maliciosas, as letras das músicas do Threesome discorrem geralmente sobre as relações humanas pela perspectiva de experiências sexuais, monogâmicas ou não. Mais do que contar histórias clichês, a Threesome quer provocar, romper barreiras impostas pelo preconceito e por setores opressores da sociedade, promovendo a livre reflexão sobre um dos temas centrais dos estudos de Sigmund Freud.”

Com apenas três faixas o EP consegue ser melhor do que o début da banda, “Get Naked” de 2014, o qual eu também gostei bastante, pois nele percebi que todas as influências da banda convergem em arranjos bem sacados. Também vale ressaltar que duas dessas três faixas são releituras de músicas do primeiro álbum (“Every Real Woman” – agora “ERW” – e “Why Are You So Angry?” – rebatizada como “Sweet Anger”).
É notória a evolução da banda e seu amadurecimento musical, resultando num trabalho melhor direcionado e mais sóbrio, à começar pela produção.

Se no primeiro registro da banda eles optaram por fazê-lo em home studio, em “Keep On Naked” o trabalho foi feito de forma analógica, gravado ao vivo no estúdio Cajueiro em Campinas.

Captação, mixagem e masterização são assinadas pelo produtor Maurício Cajueiro (Linkin Park, Steve Vai, Glenn Hughes, Gene Simmons, Stephen Stills).

Essa forma utilizada para a gravação do EP deixou as musicas muito mais impactantes. Dá pra sentir a energia da banda de forma mais vibrante e orgânica. A interação entre os músicos, a atmosfera criada, tudo parece mais vivo e intenso.

Toda essa intensidade é notável já na primeira faixa, a renascida “Why Are You So Angry” (agora chamada “Sweet Anger”), que traz Juh Leidl de forma mais intimista e sedutora nos vocais.

A inédita “My Eyes” vem na sequência, com o guitarrista  Fred Leidl nos vocais, mostrando-se como mais uma ótima mudança. Sua voz combina mais com a sonoridade da banda, trazendo uma pegada mais agressiva na medida certa.

A provocativa “ERW” fecha o EP sem dizer adeus, pelo contrário, ela te mantém na expectativa para os futuros lançamentos.

Pra conhecer um pouco mais sobre a banda, confira aqui a entrevista bacana que eles concederam ao site Gaveta de Bagunças.

 https://youtu.be/yYhqr_ZI464
                   TRACKLIST

1- Sweet Anger 

2- My Eyes 

3- ERW 

                    FORMAÇÃO

Juh Leidl (vocal) 

Fred Leidl (guitarra/piano/vocal) 

Bruno Manfrinato (guitarra) 

Bob Rocha (baixo) 

Henrique Matos (bateria) 

Moby jam – “Sem Juízo” (2014)

O Rock nacional não decepciona, e pra fortalecer essa afirmação, temos o álbum “Sem Juízo“, trabalho de estreia da banda Moby Jam.

A banda é um trio composto por amigos de longa data e que foi formada na cidade de Varre Sai/RJ em meados de 2006. 

Composto por Marcelo Vargas (Voz e Guitarra), Augusto Borges (bateria) e Elson Braga (contrabaixo). 

Com uma sonoridade firme e sem grandes pretensões, a banda aborda as raízes do Rock clássico e enérgico, flertando com a acessibilidade Pop numa mistura melódica e cheia de peso, boas letras, arranjos criativos e bom gosto. Tudo isso abarcado pela excelente produção.

As 8 faixas transbordam a paixão do trio pela Rock, cativando os amantes de uma boa música já na primeira audição. 

O álbum inicia perfeitamente com a faixa “Purpurina“. Seu riff inicial puxa o ouvinte e toma sua atenção pra dar o recado. É uma faixa que resume o som da Moby Jam pois tem pegada enérgica do Rock’n’roll e a acessibilidade Pop

O grande destaque do álbum vem na sequência, a excelente “Sol“, que transpira o clima dos anos 90 com muita emoção. 

Chuva Ácidacontinua o clima noventista e firma Marcelo Vargas como um excelente guitarrista. Seus arranjos se destacam e guiam a dinâmica das músicas. 

A crueza e acidez presentes em Descalabromostram a faceta mais agressiva do grupo. 

Mantendo a essência, mas incluindo alguns riffs mais pesados, com uma pegada Acid Rock no estilo de Deep Purple temos Homem de Gelo“, outra ótima faixa. 

Brilhar a Minha Estrela (Da mais um)é um cover de Sangue da Cidade. Faixa excepcional, mostra que o trio tem muita identidade sonora com uma releitura que revitaliza a versão original mantendo o seu DNA e ainda assim, possui a pegada da Moby Jam

A faixa mais clean vem a seguir,”Vôo“, possui uma letra linda e mostra que na simplicidade há bastante riqueza. 

A faixa título finaliza o álbum com a mesma dose de energia que a Moby Jam iniciou o play. 

Sem Juízo” é um grande trabalho, feito com paixão e competência, por quem ama e pra quem ama o Rock nacional. 

https://youtu.be/VGUI7OXuZPc

TRACKLIST

01 – Purpurina

02 – Sol

03 – Chuva Ácida

04 – Descalabro

05 – Homem de Gelo

06 – Brilhar A Minha Estrela (Da Mais Um)

07 – O Voo

08 – Sem Juízo

FORMAÇÃO

Marcelo Vargas – vocal e guitarra

Augusto Borges – bateria

Elson Braga – baixo

Morcrof – ” Codex Gnosis Apokryphv:Porta Ex Solis Svrsvm Aqvilonem” (2015) 

A banda de Black Metal, Morcrof é um dos grandes nomes do metal extremo nacional. Há 25 anos no cenário underground, possui inúmeros trabalhos e em 2015 a banda lançou o single “Codex Gnosis Apokryphv: Porta Ex Solis Svrsvm Aqvilonem“.

O single contém 2 faixas, onde a primeira, “Prealvdivm: Aperite Portae“, é uma instrumental lúgubre, bem atmosférica que prenuncia a excelente “Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem“. 

A faixa começa pesada, com uma bateria marcante e riffs rápidos. Seu refrão possui uma pegada épica, marcado por linhas de contrabaixo criativas e harmonias de teclado que preenchem a atmosfera Dark acompanhadas pelos vocais que transitam entre o lírico e o agressivo.


                        Membros :

Tom Kantele-Vaino – Vocais 
Pétros Nilo – Guitarras e Teclado 
R’Bressan – Guitarras 
Paullus Moura – Contrabaixo e Vocais 
R’Herton – Bateria 
                           Faixas :

01 – Prealvdivm:Aperite Portae 

02 – Portae Ex Solis Svrsvm Aqvilonem 

Matakabra – “Prole” (EP) (2016) 

“O casamento realizado pelo poder econômico entre o Estado e a mídia gerou incontáveis frutos. Uma prole maldita que se reproduz a cada noticiário, capa de jornal e narrativa mórbida da rádio matinal”.

A banda pernambucana Matakabra surgiu em 2015 e no ano seguinte, lançaram seu primeiro EP, Prole, trazendo pancadaria das boas, com sua sonoridade inspirada em gêneros como o Black Metal, Thrash e o Deathcore criando um trabalho brutalmente cativante. 

As letras cantadas em português realçam a mistura de fúria e dor, principalmente na faixa de abertura, “Executado”, onde o vocal de Rodrigo Costa vai de um gutural grave à timbres rasgados em linhas vocais viscerais, casando perfeitamente com o ritmo frenético e explosivo da faixa.  

O peso continua em “Pesadelo”, com destaque para os arranjos de guitarra. Fernando Marques e Blico Paiva conduzem as 8 cordas com maestria, ditando o andamento da música através de riffs ora rápidos, ora cadentes e cheios de groove.

“Prole” nomeia o EP,  tem um arranjo muito bem trabalhado e mostra a banda numa química espetacular.O peso brutal aliado a técnica do grupo ficam em bastante evidência. O destaque aqui fica por conta das linhas de contrabaixo de Rafael Coutinho e a bateria certeira de Theo Espindola, além da participação de Bruno Saraiva nos teclados.

A excelente arte da capa ficou por conta do Felipe Vaz e para a produção a banda adotou a filosofia do faça você mesmo.


Músicas:

1.  Executado  

2. Pesadelo 

3. Prole 

Membros :

Voz: Rodrigo Costa

Guitarras: Fernando Marques e Blico Paiva

Baixo: Rafael Coutinho

Bateria: Theo Espindola

Participação: Bruno Saraiva

Dr Kong – “Protagonista” (2016) 

A década de 80 culminou no ápice do Rock brasileiro, proliferando inúmeras bandas e artistas que guiaram toda uma geração e até hoje, mesmo que de forma mais amena e descontextualizada, ainda inspiram algumas mentes perdidas.

Das bandas mais populares dessa leva, temos a Legião Urbana, Titans, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso, com várias canções imortalizadas nas inúmeras rodas de violão. 

Atualmente é raro encontrar bandas que façam esse tipo de som de forma autoral, unindo o Blues ao Rock e adicionando aquele espírito tempestuoso nas suas performances, porém, em meio a essa raridade encontro esta banda, Dr Kong, a qual consegue fazer isso de forma magnífica. 
A banda é da cidade de Goiânia, foi formada em 2015 e no ano seguinte lançam o debut “Protagonista“.

Esse é um trabalho que me emocionou, pois eu nasci na década de 80, cresci e cheguei à maturidade ouvindo muita música feita nessa época. 

As 13 faixas mostram uma banda firme, com suas influências e seus direcionamentos bem definidos. 

Iniciando o álbum com a faixa título, já em seus primeiros acordes, a banda mostra sua proposta com bastante clareza. 

Arranjos com dinâmica cativante, que te conduzem através dos riffs oitentistas das guitarras de Eliel Carvalho e Gustavo de Carvalho, sempre criativos e intuitivos, como é visto nas faixas “Protagonista“, “Fale Tudo” e a excelente “Honoráveis Primatas“. 

Todas as canções possuem ótimos refrões, daqueles que ficam ecoando na sua cabeça e apesar de boas linhas melódicas, na primeira metade do álbum há uma certa linearidade entre elas que deve ser evitada no próximo trabalho.

O vocal de Flávio de Carvalho é bem agradável, grave e profundo, lembra bastante o Frejat. Merece um pouco de punch e não estacionar nas regiões mais graves traria uma dinâmica com mais feeling para as músicas. É notável como sua voz combina perfeitamente com as canções mais intimistas numa leveza melancólica bem inspirada.

A famosa cozinha se destaca em todas as faixas. As linhas de contrabaixo são um show a parte pelas mãos de Gustavo Silva, com fraseados notáveis e que trazem aquele groove enérgico para os arranjos.

Wagner Arruda conduz com maestria a dinâmica do grupo no estilo old school, mostrando que bateria não é apenas pedal duplo e caixa.

Por fim, esse trabalho do Dr Kong é mais uma das gratas surpresas do cenário atual. Um grande presente aos fãs e saudosistas do Rock nacional.


Faixas :

Tracklist:

1- Protagonista

2- Fale Tudo

3- Honoráveis Primatas

4- Olho do Furacão

5- Consciência

6- Superficial

7- Indignação

8- Não Perca o Humor

9- Raregeito

10- Passos

11- Me Chame essa Noite

12- Por Sorte

13- Metanoia

Membros :

Flávio de Carvalho – vocais
Eliel Carvalho – guitarras
Gustavo de Carvalho – guitarras
Gustavo “Cachopps” Silva – baixo
Wagner “Capucho” Arruda – bateria

R.I.V. Prog-Core “Welcome to Prog Core” (2016)

A banda R.I.V. Prog Core (Rhythms In Violence), foi formada em Belo Horizonte no ano de 1988, permanecendo ativa até 1996.

A formação original voltou para a gravação da DEMO “Welcome to Prog-core” (se desfazendo logo após) e nos entrega 4 faixas virulentas.

Criadores do estilo Prog Core, eles não se limitam apenas ao Progressivo e o Hardcore, há também umas pinceladas de Thrash Metal e Crossover, resultando em um som agressivo e áspero.

As 4 faixas captam perfeitamente a ideia da banda. Mesmo que a princípio seja um pouco confuso tantos riffs rápidos e variados com constantes quebras de ritmo, o som do grupo cativa a audição já de primeira.

Destaque para a insana “Freaks in Action”, essa faixa é sobrehumana.

Formação:
Helbert de Sá – vocal
Cláudio Freitas – guitarra
Rodrigo Boechat – baixo
Ricardo Parreiras – bateria

Músicas:
01 – Headache
02 – Animal
03 – Freaks In Action
04 – No… P.A.S.

Apple Sin – “Apple Sin”(2017)

Essa é uma banda que vou querer acompanhar e espero que evolua a cada novo trabalho, pois há muito potencial aqui. Quem curte o metal de linhas tradicionais e que nos remete principalmente ás bandas da NWOBHM deve dar uma conferida no trabalho de estréia dessa galera da cidade de Barroso/MG.

A estréia da banda Apple Sin se dá por um trabalho cheio de potencial e que foi muito bem elogiado pela mídia especializada. No total são 10 faixas, com alguns grandes momentos como nas músicas “Apple Sin” (puro anos 80) e “Another Day”, onde a alma do Metal tradicional transborda, seja pela energia contida nos riffs, pelo contrabaixo pulsante e de linhas bem elaboradas que fazem uma ótima dinâmica com a bateria ou pelos vocais que mostram sua inspiração sem emular Bruce Dickinson.

Essas duas faixas mostram a paixão da banda pelo Metal, juntamente com a bônus track “Roadie Metal”, hino que homenageia um dos maiores veículos de comunicação da cena nacional.

Apesar das referências musicais estampadas de forma bem nítida é perceptível que a banda ainda está buscando definir seu som. Temos uma produção bem orgânica e simples que ressalta os timbres crus das guitarras, mas que na contramão nos carece de um peso extra na bateria, algo que traria um impacto maior nas músicas.

A notável influencia do Iron Maiden sobre o grupo confere aquele toque de reverência aos mestres, mas é uma característica que impregna alguns momentos do álbum de maneira bastante forte, principalmente nas linhas vocais mais agudas de Patric Belchior. Este por sua vez, mostra que possui variações de timbre que merecem ser exploradas de forma melhor e faz isso de maneira bem equilibrada na excelente trinca “Fire Star” (mesmo soando como um petardo perdido do Iron Maiden), “Black Hole” e “Roaches Blood”.

Nessas três faixas a banda mantém um pé no tradicional ao mesmo tempo em que adiciona uma pegada mais Thrash e moderna em seus arranjos, nos mostrando um direcionamento que poderia ser tomado como foco em seu próximo álbum.

Todos os músicos são excelentes, mas uma característica marcante é o trabalho de guitarra da dupla Beto Carlos e Tainan Vilela que entre tantos riffs poderosos e solos grandiosos, merecem um destaque maior na faixa “Sea of Sorrow”, que possui um solo amparado pelas harmonias de teclado conseguindo criar uma atmosfera memorável.

Os dois pontos baixos do álbum são a breve instrumental que inicia o disco (numa tentativa de criar uma atmosfera serena a ser quebrada pelos riffs iniciais de “Sea of Sorrow”) e “Respect”, uma balada que soa meio deslocada do álbum, mas ressalta que o vocalista possui outros timbres e variações vocais que merecem ser exploradas.

Esse é mais um trabalho do nosso underground que vale a pena ser conferido!

    Faixas : 
01. Intro
02. Sea Of Sorrow
03. Darkness And World
04. Apple Sin
05. Another Day
06. Respect
07. Fire Star
08. Black Hole
09. Roaches Blood
10. Roadie Metal (bonus-track)

Membros:
Patric Belchior – vocais
Beto Carlos – guitarras
Tainan Vilela – guitarras
Raul Ganso – baixo
Eduardo Rodruigues – bateria
Phillipe Belchior – teclados (adicional)